Mostrando postagens com marcador Albert Camus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Albert Camus. Mostrar todas as postagens

domingo, 2 de junho de 2013

O Estrangeiro - O cão

"E, para mais", acrescentou, "não o conheceu antes da doença. Não havia pelo mais bonito que o dele." Todas as noites e todas as manhãs, desde que o cão aparecera com aquela doença de pele, Salamano punha-lhe pomada. Mas, na sua opinião, a verdadeira doença que o cão tinha era a velhice, e a velhice não se cura.

O Estrangeiro - Casamento

Maria veio buscar-me à noite e perguntou-me se eu queria casar com ela. Respondi que tanto me fazia, mas que se ela de facto queria casar, estava bem. Quis então saber se eu a amava. Respondi, como aliás respondera já uma vez, que isso nada queria dizer, mas que talvez não a amasse. "Nesse caso, porquê casar comigo?", disse ela. Respondi que isso não tinha importância e que, se ela quisesse, nos podíamos casar. Era ela, aliás, quem o perguntava, e eu contentava-me em dizer que sim. Maria observou, então, que o casamento era uma coisa muito séria. Respondi: "Não".

O Estrangeiro - Promoção

"Você ainda é novo e creio que essa vida lhe agradaria." Disse que sim, mas que, no fundo, me era indiferente. Perguntou-me depois se eu não gostava de uma mudança de vida. Respondi que nunca se muda de vida, que em todos os casos todas as vidas se equivaliam e que a minha, aqui, não me desagradava. Mostrou um ar descontente, disse que eu respondia sempre a margem das questões e que não tinha ambição, o que, para os negócios, era desastroso. Voltei para o meu trabalho. Teria preferido não o descontentar, mas não via razão alguma para modificar a minha vida. Pensando bem, não era infeliz. Quando era estudante, alimentara muitas ambições desse gênero. Mas, quando abandonei os estudos, compreendi muito depressa que essas coisas não tinham verdadeira importância.