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domingo, 2 de junho de 2013

Horas Más - O Alcaide

O alcaide costumava passar dias inteiros sem comer. Simplesmente, esquecia-se. A sua atividade, febril em certas ocasiões, era tão irregular como as prolongadas épocas de ócio e aborrecimento em que vagueava pela terra sem qualquer propósito, ou se encerrava no gabinete blindado, sem consciência do decurso do tempo. Sempre sozinho, sempre um pouco ao acaso, não tinha um interesse especial, nem se lembrava de uma época pautada por costumes regulares. Só impulsionado por uma necessidade irresistível aparecia no hotel a qualquer hora e comia o que lhe servissem.

Círculo de Leitores, pg. 107

terça-feira, 30 de março de 2010

Cem anos de solidão - O sábio catalão

Aturdido por duas saudades colocadas de frente uma para outra como dois espelhos, perdeu o seu maravilhoso sentido de irrealidade até que terminou por recomendar a todos que fossem embora de Macondo, que esquecessem tudo o que ele ensinara do mundo e do coração humano, que cagassem  para Horácio e que em qualquer lugar em que estivessem se lembrassem sempre de que o passado era mentira, que a memória não tinha caminhos de regresso, que toda primavera antiga era irrecuperável e que o amor mais desatinado e tenaz não passava de uma verdade efêmera.

[Cem anos de solidão - pg. 381]

segunda-feira, 15 de março de 2010

Cem anos de solidao - Passado

"Era a ultima coisa que ia ficando de um passado cujo aniquilamento não se consumava, porque continuava se aniquilando indefinidamente, consumindo dentro de si mesmo, se acabando a cada minuto mas sem acabar de se acabar nunca."
[Cem anos de solidão - Gabriel Garcia Marquez - pg. 382 ]

terça-feira, 9 de março de 2010

Cem anos de solidao - Tristeza

A necessidade de se sentir triste ia se transformando num vicio a medida que
os anos o devastavam. Humanizou-se na solidao.
[Cem anos de solidao - Gabriel Garcia Marquez, pg. 345]