domingo, 2 de junho de 2013

Meditações

  1. Um homem que não tem pensamentos individuais é um homem que não pensa.
  2. Neste mundo só há duas tragédias. Uma é não ter o que se deseja, a outra é consegui-lo.
  3. Um homem pode viver feliz com qualquer mulher desde que não a ame.
  4. A base lógica do casamento é um recíproco mal-entendido.
  5. A favor da estupidez há muito mais a dizer do que normalmente se pensa. Pessoalmente, tenho a maior admiração pela estupidez. Quem sabe se não é por algum tipo de solidariedade.
  6. A verdade não é propriamente o que contaríamos a uma boa, educada e fina rapariga.
  7. A obra de arte deve dominar o público. Não cabe ao público dominar a obra de arte.
  8. Sempre encontramos algo de ridículo nas emoções das pessoas que deixamos de amar.
  9. Nesta nossa época a única coisa necessária é o supérfluo.
  10. Gosto mais das pessoas do que dos princípios; e gosto das pessoas desprovidas de princípios, mais que de qualquer outra coisa no mundo.
  11. Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo.
  12. A arte é a forma mais intensa de individualismo que o mundo já conheceu.
  13. O apaixonado começa por se enganar si mesmo e acaba a enganar também os outros. É a isto que nós chamamos romantismo.
Alma Azul

A imortalidade - Expressão

Cada homem tem muito pouco que exprimir e a súmula de toda uma vida de sentimento e pensamento pode, às vezes, caber inteira num poema de oito linhas. Se Shakespeare apenas tivesse escrito a canção de Ariel a Ferdinand, não teria sido o shakespeare que foi, mas haveria dele o suficiente para mostrar que era um poeta superior a Tennyson.

Literatura portátil, pg. 29

A imortalidade - Mulher e poemas

Qualquer pessoa que seja, de algum modo, poeta sabe muito bem que é mais fácil escrever um bom poema (se os bons poemas estiverem ao seu alcance) acerca de uma mulher que lhe interesse muito do que acerca de uma mulher por quem esteja profundamente apaixonado. O melhor gênero de poema de amor versa, geralmente, sobre uma mulher abstrata.

Literatura portátil, pg. 27

A imortalidade - Artista e público

Subsistem, no entanto, dificuldades na nossa época. Por um lado, há demasiada gente a desenhar e a maltratar a arte de diversas maneiras. Isto gera confusão. Por outro lado, esta própria multidão de artistas converte a publicidade e a auto-afirmação de mais baixo nível numa defesa contra a obscuridade. O resultado é que, à confusão produzida pela abundância se sobrepõe a obstrução deliberadamente feita pelas diversas capelinhas; às vezes constituídas por um só homem. O homem de gênio tem hoje maiores possibilidades do que jamais teve, sem ser na Grécia antiga; mas tem menos probabilidades do que nas piores trevas das eras iluministas. Tem a certeza de algum público, mas não tem a certeza de conseguir encontrá-lo. Pode contar com a aceitação, mas não com recebê-la. Tal como as duas metades naturais da amorosa alma platônica, o gênio e o seu público procuram-se mutuamente, mas, como sucede habitualmente, raramente conseguem encontrar-se. Tendem, separados e sós, a uma plenitude que nunca existirá e são virgindades vivas separadas.

Literatura portátil, pg. 20

A imortalidade - Goethe

Tenho refletido muitas vezes sobre a sensatez dos ditos de Goethe nas suas conversas com Eckermann. Mas também tenho refletido frequentemente sobre quantos ditos igualmente sensatos escutei ao longo da minha vida, em conversas com pessoas que, embora inteligentes, dificilmente poderiam ser comparáveis a Goethe.

Literatura Portátil, pg. 7

Loucura - Felicidade

-- És então feliz?
-- Felicíssimo!
-- Desgraçado!

Alma Azul, pg. 11

Loucura - Mulheres

-- Pateta... Mulheres?... Para quê? Não tenho as minhas estátuas, não tenho mármore?... Dizem vocês os literatos cretinos, descrevendo o corpo de uma mulher ideal: "As suas pernas bem torneadas e nervosas, eram duas colunas de rijo mármore; o seu colo, alabastro puro". Sim, apesar da vossa grande imbecilidade, vocês compreendem que a suprema beleza da carne está em parecer pedra. Ora eu tenho pedra; para que hei-de querer carne, pateta?... E a dizer isto, acariciava os seios duma maravilhosa dançarina grega.

Alma Azul, pg. 9